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Competências de um líder maior - Parte 2
Madalena Carvalho

Depois de escrever o artigo "Competências de um líder maior", que gerou uma centena de e-mails de elogio comentando-o e inúmeras propostas de treinamento fechado, em agradecimento aos meus leitores, resolvi escrever a segunda parte detalhando um pouco mais as características deste líder.
Nós estamos vivendo um período onde ouvimos muito sobre administração moderna, uma gestão de vanguarda, valorização do capital humano, respeito às pessoas, etc, mas que, infelizmente, ainda não existe de forma habitual em muitas empresas. Acompanho diariamente as ações do TRT e fico pasma quando vejo que grandes empresas cometem abusos totalmente fora do que se defende.
Chega a ser inacreditável que em pleno ano de 2005 ainda vemos empresas que são capazes de atos de profundo contra-senso com seus colaboradores, tais como controlar o tempo de uso do banheiro, apelidos pejorativos como Magda (alusão ao personagem do Programa Sai de Baixo - Rede Globo), demissão em plena avenida de São Paulo do motorista que errou o caminho e tantos desatinos que parecem ficção.
É preciso que possamos romper definitivamente com padrões e comportamentos ultrapassados e adotar um ângulo diferente para ver as coisas assegurando que nossas  práticas gerenciais possam ir de encontro a um modelo de gestão que traga mais resultados para a organização e indivíduos.
É claro que este processo, que requer uma intensa mudança de mentalidade, necessita de tempo, mas não é possível que se fique só no desejo, nas palavras bonitas e em ações ínfimas.
O escritor Paulo Coelho em Maktub conta a estória de um discípulo que buscava a iluminação e ao pedir a ajuda do mestre este manda que ele olhe fixamente para o sol e depois o mestre diz: Um homem que apenas busca a luz e deixa suas responsabilidades para os outros, termina sem encontrar a iluminação. Um homem que mantém os olhos fixos no sol termina cego.
Estou mencionando esta estória porque as ações que comentei do TRT não são de empresas pequenas, são muitas vezes de empresas multinacionais com programas maravilhosos de responsabilidade social, mas que ao meu ver cometem uma grande incoerência já que um dos pilares da responsabilidade social diz que devemos olhar em primeiro lugar para dentro dos nossos muros.
De nada vale parecer politicamente correto aos olhos dos outros e tratar os colaboradores sem respeito e dignidade. E o novo líder precisa romper com estes modelos antiquados e desenvolver um conjunto especial de competências que mude os resultados; que este possa ter e disseminar pela Organização um olhar sistêmico, que vá além dos lucros, tecnologia, processos, produtos, mercado, mas que aponte também para uma liderança moderna, para os relacionamentos, comprometimento, uma liderança capaz de inspirar, de fazer com que todos atuem em parceria, que a inspiração venha do seu exemplo pessoal, exemplos de justiça, dignidade, respeito pelo ser humano, ética, serviço, etc.
E esta gestão deve integrar coerentemente as percepções, os sentimentos, os valores, as necessidades, o jeito de ser de cada um; por isso que muitas vezes parece difícil, uma vez que é uma tarefa que demanda tempo, investimento nas pessoas, dedicação, disciplina, coisas que poucos estão dispostos a dar no dia a dia.
John Maxwell coloca quatro princípios fundamentais para uma boa liderança e o primeiro princípio (Princípio da Corporificação) diz que o líder deve servir de exemplo vivo, tangível para os outros o seguirem. E só podemos ser exemplos na medida em que nossas ações se coadunam com as nossas palavras.
É por isso que James Hunter tem feito tanto sucesso com o livro O Monge e o Executivo, porque fala de uma liderança servidora, onde o líder não está preocupado com

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