Nos últimos dez anos, RH foi uma das áreas mais afetadas pelos efeitos da globalização e da necessidade de maior competitividade por parte das empresas. Isso ocorreu devido a vários fatores, cujos principais foram:
● Falta de posicionamento dos profissionais de RH frente às reais necessidades da empresa, agravada pela ausência de uma visão sistêmica do negócio;
● Subordinação de RH a uma visão técnica e/ou muito conceitual, desvinculada da prática, da simplicidade e de uma comunicação efetiva com as pessoas;
● E ainda, o RH foi uma das áreas mais afetadas por downsizes, reengenharias, terceirizações, etc.
Tudo isso levou a área a uma situação de "sucateamento", na qual poucos profissionais sobreviveram e muitos outros foram "trocados" por estagiários. Nada contra esses jovens profissionais que, na verdade, assumiram papéis que não lhes cabiam e, na maior parte das vezes, sem a devida orientação. Portanto, largados a própria sorte. Obviamente isso gerou um gap enorme na qualidade do funcionamento da área, que afetou a performance e o resultado de inúmeras empresas.
As conseqüências imediatas foram a falta de uma visão de médio e longo prazo, imagem ainda mais distorcida de RH, dificuldades de interlocução entre consultorias especializadas e as empresas e, sobretudo, a falta de um programa de desenvolvimento sustentável das organizações, face à ausência de investimento no capital humano.
O lado bom de tudo isso é que algumas empresas e profissionais de RH acordaram dessa triste realidade e já existem sinais consistentes de práticas nas quais a gestão de pessoas alinhada ao negócio é o fator determinante do sucesso. Se aliado a isso o RH situar-se no foco do cliente, estabelecer parcerias estratégicas nas organizações e inovar entendendo que "inovação são os meios para se obter vantagens competitivas sustentáveis para as empresa, num mundo cada vez mais globalizado(vide Organizações Inovadoras Sustentáveis de Silvana Pereira de Aguiar e demais autores)" teremos um futuro brilhante para RH e aqueles que nele militam. Caso contrário continuaremos a pagar o "pato" pelas crises locais e internacionais e perderemos definitivamente mais esta grande oportunidade.
Vejo algumas grandes possibilidades de ampliação do papel de RH, por exemplo, via uma atuação mais ativa nos processos de governança corporativa, e comunidades de prática ("community of practice"). Ambas intimamente ligadas ao exercício da influência e disseminação de conhecimento, espaços que nos pertencem!!!