Uma ponte de diálogo entre o CRA-SP e as empresas
Geraldo Wolff
Conselho reforça setor de fiscalização, mas quer acabar com a ideia de que seus "embaixadores" são os vilões do relacionamento com as empresas
O trabalho do fiscal não é lá dos mais simpáticos. Quem já recebeu uma visita de um desses profissionais, multa em mãos, não guarda boas recordações. Mas é exatamente isso que o CRA-SP quer mudar. Repaginados como "embaixadores", eles querem virar a ponte de diálogo entre Conselho e empresas, e carregam a missão de popularizar, pacificamente, a contratação de administradores sob a observância de todas as obrigações legais que uma profissão regulamentada exige. E o primeiro passo é justamente esse: reafirmar que a Administração é, sim, uma profissão regulamentada.
"Vou fazer um chute: pelo menos 70% dos setores de Recursos Humanos das empresas não entendem direito como lidar com isso no caso dos administradores", avalia o administrador Antônio Geraldo Wolff, diretor do CRA-SP e responsável pelas mudanças que têm ocorrido no trabalho dos fiscais desde o ano passado. "Não é só uma coisa do administrador. É dos médicos, advogados, engenheiros, economistas, contadores... Alguém contrataria um contador sem registro? Não. Ele não poderia assinar o balanço, não é habilitado. Essa é a diferença entre o bacharel e o profissional", completa.
Dentre outras determinações, o Decreto Federal 61.934/67, que criou as regras para o exercício da profissão, prevê que só os administradores podem elaborar planos ou projetos inerentes a técnicas de organização, bem como o exercício de função de chefia, direção, assessoramento e consultoria em todos os cargos que exijam conhecimento técnico de Administração, seja no setor público, seja no privado.
"Nós queremos que os empregadores se tornem parceiros e nos ajudem a regularizar e a fiscalizar. Para isso, são dois os pontos que nossos embaixadores querem firmar com os empresários: o primeiro é o de que as empresas passem a contratar somente administradores para os cargos relativos à profissão. O outro, que as próprias empresas orientem seus administradores já contratados a se registrarem no CRA-SP", afirma Wolff. A expectativa é que, estabelecido esse contato e aceitas as sugestões dos fiscais, a regularização de contratação e permanência de administradores nas empresas passe a acontecer de forma "automática".
O registro no Conselho também ajuda a resolver distorções na contribuição sindical. O empregado tem a opção de efetuar o pagamento para o sindicato do ramo da empresa, por exemplo, dos metalúrgicos, dos químicos ou para o que representa a sua categoria profissional. "Muitos entram no site do Sindicato dos Administradores no Estado de São Paulo (Saesp), emitem o boleto para o pagamento de R$ 26,00 e o levam para o Departamento de Recursos Humanos, evitando que a empresa desconte um dia de salário do mês de março. Porém, poucas pedem aos que fazem isso comprovação de que são, de fato, registrados no Conselho", esclarece Wolff.
Para resolver esses desvios, a tática adotada pela fiscalização tem sido inédita: os representantes do RH das empresas têm sendo convidados para reuniões na sede do Conselho para receber orientações. Cerca de 200 empresas já participaram e outras 50 visitadas diretamente pelos "embaixadores". "É complicado porque muitas acham que a fiscalização é assunto de departamento jurídico. E aí tentam empurrar com a barriga", lamenta o conselheiro. O diálogo, aponta Wolff, pode transformar uma notificação ou multa em simples orientação. "O fiscal que a gente odeia é aquele que fica anos sem aparecer e de repente bate à porta com uma multa na mão. Não queremos isso, mas precisamos da colaboração das empresas", finaliza.
Revista Administrador Profissional - Publicação Mensal do CRA-SP - Conselho Regional de Administração de São Paulo - Edição n. 285 - Março/2010 - Secão Canal Aberto - pags. 28/29.
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